ARTIGO

Ablação por Campo Pulsado no Plano de Saúde: O Que Muda para Quem Tem Fibrilação Atrial

Desde 1º de setembro de 2026, a ablação por cateter de campo pulsado para o tratamento da fibrilação atrial paroxística passou a ter cobertura obrigatória pelos planos de saúde. A decisão está na Resolução Normativa nº 678 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que atualizou o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde e o ampliou para mais de 3.500 procedimentos cobertos. Para o paciente com fibrilação atrial, isso significa acesso a uma das técnicas mais modernas e seguras disponíveis hoje para tratar a arritmia mais comum na prática do cardiologista. Neste artigo, explico o que a resolução determina, por que o campo pulsado representa um avanço e quem pode se beneficiar dessa mudança.

O Que Diz a Resolução da ANS

A RN nº 678 incluiu no Rol a ablação por cateter de campo pulsado para a fibrilação atrial paroxística, ou seja, aquela em que os episódios de arritmia começam e terminam espontaneamente, em geral em até sete dias. A cobertura é obrigatória nos planos com segmentação hospitalar, com ou sem obstetrícia, e no plano-referência.


Na prática, isso quer dizer que, havendo indicação médica de ablação, a operadora não pode mais negar essa técnica específica ao paciente. Até então, muitos pacientes tinham acesso apenas às modalidades térmicas, por radiofrequência ou crioablação, e o campo pulsado dependia de negociação caso a caso ou de custeio particular.

Por Que o Campo Pulsado é um Avanço

A ablação é o procedimento que trata a origem elétrica da arritmia, isolando as regiões do coração que disparam a fibrilação atrial. Nas técnicas tradicionais, esse isolamento é feito com calor (radiofrequência) ou frio (crioablação). O campo pulsado usa um princípio diferente: pulsos elétricos de altíssima intensidade e curtíssima duração, que agem apenas sobre as células do músculo cardíaco.


As vantagens são consistentes e já foram demonstradas em estudos internacionais e em registros brasileiros:


  • Segurança: a energia não térmica preserva estruturas vizinhas ao coração, como o esôfago, o nervo frênico e as veias pulmonares, reduzindo complicações raras, porém graves, das técnicas anteriores.

  • Eficácia: o isolamento das veias pulmonares é obtido de forma rápida e completa, com resultados de manutenção do ritmo comparáveis ou superiores aos métodos convencionais.

  • Tempo de procedimento: a aplicação da energia é feita em segundos, encurtando o tempo total de sala e de anestesia.

Quem pode se beneficiar

A cobertura obrigatória vale para a fibrilação atrial paroxística. Mas a decisão de indicar a ablação continua sendo clínica e individual. De modo geral, o procedimento é considerado para pacientes que:
• Têm episódios recorrentes de fibrilação atrial que impactam a qualidade de vida;
• Não responderam bem aos medicamentos antiarrítmicos ou apresentam efeitos colaterais com eles;
• Desejam uma estratégia de controle do ritmo em vez de conviver com a arritmia por tempo indeterminado.
Um ponto que merece destaque: as evidências mais recentes mostram que tratar a fibrilação atrial cedo, ainda na fase paroxística, oferece maior chance de sucesso. Aguardar a progressão para formas persistentes reduz de forma importante a eficácia de qualquer ablação. A nova cobertura, portanto, chega em sintonia com o que a ciência vem apontando: quanto antes, melhor.

O Que Fazer se Você Tem Fibrilação Atrial

Se você já tem diagnóstico de fibrilação atrial, converse com o seu arritmologista sobre a possibilidade de ablação e sobre a técnica de campo pulsado. Se você tem palpitações irregulares e ainda não investigou, o primeiro passo é o diagnóstico: um eletrocardiograma, um Holter ou um monitor de eventos costumam ser suficientes para registrar o ritmo.


Quem tem plano de saúde deve solicitar a autorização com o laudo e a indicação médica em mãos. Com a RN nº 678 em vigor, a negativa de cobertura para a ablação por campo pulsado na fibrilação atrial paroxística já não encontra respaldo no Rol da ANS.

A importancia da avaliação especializada

A fibrilação atrial não é apenas uma arritmia desconfortável. Ela é uma das principais causas de AVC, porque favorece a formação de coágulos dentro do coração. Tratar o ritmo, proteger contra o coágulo com anticoagulação quando indicada e controlar os fatores que alimentam a arritmia, como peso, apneia do sono e álcool, fazem parte de um mesmo plano de cuidado. A ablação por campo pulsado é uma ferramenta poderosa dentro desse plano. E agora está ao alcance de muito mais pacientes. A busca por um especialista em arritmias é o primeiro passo para decidir, com segurança, se ela é a escolha certa para você. Dr. Marcos Rosa Cardiologista, Arritmologista e Especialista em Estimulação Cardíaca Artificial CRM-RO 4943 | RQE 1399/1400/1401/2443 Atendimento em Porto Velho e Ariquemes

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Dr. Marcos Rosa
Dr. Marcos Rosa
Especialista em Arritmologia e Estimulação Cardíaca Artificial. CRM-RO 4943.
Provérbios 4:23: "Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida".
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